A Nossa História

Há casas que atravessam o tempo sem perder aquilo que as distingue. Da Monarquia Constitucional à Primeira República, do Estado Novo ao 25 de Abril e à democracia, a Manteigaria Silva faz parte da história de Lisboa e da vida de várias gerações de portugueses. Conheça um pouco da história de uma casa que mantém viva, desde 1890, uma forma muito própria de conhecer, escolher e cuidar do produto.

A Manteigaria Silva é uma das casas históricas do comércio tradicional lisboeta, preservando ainda hoje muitos dos elementos arquitetónicos da época da sua fundação. As suas origens documentadas perderam-se no tempo, mas a tradição oral situa o início da sua história em 1890, ainda durante a Monarquia Constitucional. Nesse tempo, a Baixa acordava ao som dos pregões e as ruas enchiam-se com o bulício dos fregueses.

Em 1890, a atual Rua D. Antão de Almada chamava-se Rua dos Correeiros. Foi aqui, no número 301, no espaço onde atualmente se encontra a Bacalhoaria Silva, que abriu portas a casa que viria mais tarde a tornar-se a Manteigaria Silva. Na porta ao lado, onde hoje funciona a mercearia fina, existia um matadouro de gado caprino que abastecia o antigo Mercado da Praça da Figueira.

Em 1922, a loja mudou de mãos e de nome, passando a designar-se Manteigaria Silva. Na época, a manteiga era um produto importante e dispendioso, chegava dos Açores em grandes blocos e era vendida a peso, em pequenos embrulhos. A casa dedicava-se então essencialmente à manteiga e aos seus derivados.

Oito anos mais tarde, em 1930, a loja foi ampliada para os números 303, 305 e 307, adquirindo a dimensão que conhecemos hoje. De um lado funcionava a manteigaria; do outro, um talho, que mais tarde daria lugar à mercearia fina que permanece até hoje.

Em 1956, o negócio alargou-se ao comércio de bacalhau. Nesse ano, a rua já se chamava D. Antão de Almada e foi no número 1 C, antigo número 301 da Rua dos Correeiros, que surgiu a bacalhoaria.

A família Branco

Em 1989 começa um novo capítulo na história da Manteigaria Silva. José Taboaço Branco adquiriu quotas do negócio e tornou-se sócio maioritário. Natural de Ramalde, no Porto, veio para Lisboa em 1966 para cumprir o serviço militar e acabou por ficar na capital.

Filho e neto de empresários ligados à indústria conserveira, então com grande expressão em Portugal, trabalhou na área dos lacticínios entre 1974 e 1985, ano em que decidiu criar um pequeno negócio próprio ligado ao comércio de bacalhau. A Manteigaria Silva era um dos seus clientes, o que lhe permitiu conhecer de perto a casa, os seus produtos e as pessoas que nela trabalhavam. Quando surgiu a oportunidade de adquirir quotas, não hesitou. Em 29 de dezembro de 1989, assinou a escritura que lhe garantiu 57% da sociedade.

Com filhos ainda pequenos, José Taboaço Branco investiu o seu conhecimento, trabalho e recursos na casa e no potencial que reconheceu nela. À época, o bacalhau, em boa parte devido à emigração, era o principal motor do negócio e continuou a ser uma grande aposta. Vendiam-se toneladas por ano e, no subterrâneo da loja, existia um poço onde eram armazenadas várias toneladas de atum conservado em barricas.

Mas José Taboaço Branco queria ir mais longe. Foi à procura dos melhores queijos e aprofundou o conhecimento sobre a sua conservação e afinação. Bacalhau, queijos e presuntos tornaram-se os grandes produtos da casa, e continuam a sê-lo hoje.

Entre 1989 e 1996, José Branco foi adquirindo as restantes quotas e, progressivamente, restaurou a loja, das prateleiras aos balcões, procurando preservar a sua identidade e, simultaneamente, criar melhores condições para o negócio. 

Uma nova geração

Em 2000, o filho, José Branco Junior, juntou-se à equipa, trazendo novo fôlego ao negócio e aprofundando áreas como os presuntos, os enchidos e os vinhos. Ao lado do pai, foi também desenvolvendo um conhecimento profundo do produto, da afinação dos queijos à desossa manual dos presuntos, saberes que continuam a fazer parte do quotidiano da casa.

Tal como o pai, visita pessoalmente produtores, muitos deles pequenos produtores portugueses, conhece os produtos e acompanha de perto a sua origem e produção.

Este conhecimento não se constrói apenas atrás do balcão. José Tabuaço Branco chegou a participar numa campanha do bacalhau na Islândia para compreender ainda melhor a pesca e a cura. O filho percorreu o Alentejo à procura dos melhores porcos, acompanhando desde a origem um produto que só anos mais tarde chegaria ao balcão sob a forma de presunto.

Em 2011, foi a vez da filha, Laura, formada em Arquitetura, se juntar ao negócio, assumindo progressivamente responsabilidades na gestão, estratégia e desenvolvimento da empresa, com particular atenção à cultura da organização, às pessoas e à forma como a Manteigaria Silva se prepara para o futuro. A sua formação esteve também presente nos trabalhos de conservação e intervenção realizados na loja, sempre com respeito pela sua traça e pelo património que encerra.

A mesma essência, novos espaços

Ao longo dos anos, a família Branco tem procurado preservar a identidade da casa, mantendo a proximidade com o produto, com quem o produz e com quem a visita, ao mesmo tempo que leva a Manteigaria Silva a novos desafios.

Em 2014, a Manteigaria Silva abriu um espaço no Mercado da Ribeira, a convite da Time Out, levando a sua seleção de sabores portugueses a um público cada vez mais internacional.

Em 2016, a convite do chef José Avillez, a Manteigaria Silva passou também a estar presente no Bairro do Avillez, em pleno Chiado.

Nesse mesmo ano, a Câmara Municipal de Lisboa distinguiu a Manteigaria Silva como Loja com História, reconhecendo o valor de uma casa que faz parte da memória e da identidade da cidade e que preserva um património feito de espaços, objetos, saberes e gestos.

Em 2024, iniciou-se uma nova parceria com o Grupo Pestana, através da Taberna da Praça, na Cidadela de Cascais, levando a seleção e o saber-fazer da Manteigaria Silva a um novo contexto.

Uma história que continua

Hoje, a Manteigaria Silva continua a receber diariamente clientes de Lisboa, alguns à procura dos mesmos sabores que já faziam parte das mesas dos seus pais e avós, e visitantes vindos de todo o mundo.

Mudaram os tempos, os hábitos e a cidade. A forma de olhar para o produto permanece: conhecer a sua origem, respeitar o tempo de que necessita e escolher quem sabe fazê-lo.

Mais de um século depois de ter aberto portas na Baixa Pombalina, a história da Manteigaria Silva continua a escrever-se, com a mesma curiosidade pelo produto e a vontade de levar o melhor de Portugal cada vez mais longe.

Seja bem-vindo!

Aqui na Manteigaria Silva pode encontrar uma seleção muito rica de queijos, enchidos de excelência e os melhores vinhos portugueses. Confirma que tem 18 anos ou mais?

Não